Aquela recomendação clássica de "apague a luz ao sair", que seus pais sempre alertaram, nasceu na era das lâmpadas incandescentes. Elas eram terrivelmente ineficientes: a maior parte da energia virava calor, não luz. No Brasil, desde que as incandescentes foram retiradas do mercado e as LEDs se tornaram o padrão, o cenário mudou drasticamente.
Mas será que o esforço de policiar cada luminária da casa realmente impacta sua conta de luz no fim do mês?
O custo real (e minúsculo) do LED
Vamos aos números brasileiros. Se considerarmos uma lâmpada LED comum de 9W (que substitui a antiga de 60W) e o custo médio da energia no Brasil (cerca de R$ 0,70 a R$ 1,00 por kWh, dependendo da região e bandeira tarifária), o cálculo é surpreendente.
Se você deixar uma lâmpada LED ligada por uma hora, ela consumirá aproximadamente 0,009 kWh. Isso custa menos de R$ 0,01. Para você gastar apenas um real, essa lâmpada precisaria ficar ligada direto por mais de 110 horas.
Como dizem especialistas em automação residencial: você poderia ter doze lâmpadas LED acesas 24 horas por dia e, ainda assim, elas consumiriam menos energia do que uma geladeira comum no mesmo período. Portanto, aquela discussão com o parceiro ou com os filhos por um interruptor ligado pode estar custando mais caro para a sua paciência do que para o seu bolso.
Ligar e desligar estraga a lâmpada?
Existe um mito de que o "tranco" de ligar a luz reduz a vida útil do produto.
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Com LEDs: Não importa. A tecnologia de estado sólido dos LEDs não sofre estresse físico ao ser acionada. Pode ligar e desligar quantas vezes quiser sem medo de queimar.
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Com Fluorescentes (as "econômicas" de espiral): Aqui a regra muda. O reator dessas lâmpadas sofre desgaste a cada acionamento. A recomendação técnica é a "regra dos 15 minutos": se for voltar ao cômodo em menos de 15 minutos, é melhor deixar acesa. Se for demorar mais, apague.
Como encerrar a "guerra dos interruptores" com tecnologia
Se o hábito de esquecer as luzes acesas ainda incomoda, a solução não é o policiamento, mas a automação. Hoje, transformar uma casa comum em uma casa inteligente é acessível e resolve o problema de forma definitiva:
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Lâmpadas Inteligentes: Você cria cronogramas pelo celular. Pode programar para que todas as luzes se apaguem às 23h ou que a luz da fachada ligue apenas ao anoitecer.
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Sensores de Movimento: Ideais para áreas de passagem como corredores, garagens e despensas. A luz acende quando você entra e apaga sozinha após um tempo de inatividade.
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Plugues Inteligentes: Ótimos para transformar abajures comuns em dispositivos controlados por voz (Alexa ou Google Home) ou aplicativos, permitindo o desligamento remoto de qualquer lugar.
Conclusão
Embora economizar energia seja um princípio nobre e necessário, o impacto individual de uma lâmpada LED acesa é mínimo. Se a meta é reduzir a conta de luz, focar no ar-condicionado e no chuveiro elétrico traz resultados muito mais expressivos.
Quanto às luzes, a tecnologia está aí para que você pare de se preocupar com o interruptor e comece a aproveitar o conforto da sua casa.
Fontes: Procel, Inmetro,Wirecutter